Numa certa madrugada
João em uma cama acordava,
não lembrava quem era,
muito menos onde estava.
Acendeu um cigarro, antes mesmo de levantar,
cheirando a cachaça, foi trabalhar.
João em uma cama acordava,
não lembrava quem era,
muito menos onde estava.
Acendeu um cigarro, antes mesmo de levantar,
cheirando a cachaça, foi trabalhar.
Se rastejando no escuro, pensava consigo:
- Será o benedito, até de domingo?
Chegando ao trabalho com seu trapo velho,
recebeu a notícia de que trabalharia até mais tarde.
Nos lábios sujos outro cigarro queimava não só a nicotina,
mas também desejos por condições melhores,
que não passavam de míseros sonhos.
- Será o benedito, até de domingo?
Chegando ao trabalho com seu trapo velho,
recebeu a notícia de que trabalharia até mais tarde.
Nos lábios sujos outro cigarro queimava não só a nicotina,
mas também desejos por condições melhores,
que não passavam de míseros sonhos.
Contando os minutos, esperava o almoço
que de tão rápido e pálido, perdia o gosto.
- Volte ao trabalho, falava o patrão:
- Só pare, quando te sangrar a mão.
que de tão rápido e pálido, perdia o gosto.
- Volte ao trabalho, falava o patrão:
- Só pare, quando te sangrar a mão.
E sem aguentar mais tudo isso,
João parou e se perguntou:
- Oh meu Deus, preciso mesmo passar por tudo isso?,
Pareço uma máquina... Mas se sair daqui, para onde vou?
E de muito longe uma voz lhe afirmou:
-João meu filho, saia daí, comece a viver,
você é humano, deve ser feliz e fazer o que bem entender.
João parou e se perguntou:
- Oh meu Deus, preciso mesmo passar por tudo isso?,
Pareço uma máquina... Mas se sair daqui, para onde vou?
E de muito longe uma voz lhe afirmou:
-João meu filho, saia daí, comece a viver,
você é humano, deve ser feliz e fazer o que bem entender.
Então João largou tudo, xingou seu dono, e pôs-se a correr.
Cantando nas ruas, conheceu o Sol amarelado que tanto ouvia falar,
percebeu sorrisos apaixonados, viu crianças correndo,
pessoas agradecendo, mil coisas acontecendo.
Cantando nas ruas, conheceu o Sol amarelado que tanto ouvia falar,
percebeu sorrisos apaixonados, viu crianças correndo,
pessoas agradecendo, mil coisas acontecendo.
A tarde chegou, e assistindo ao famoso crepúsculo, começou a chorar.
E sem se segurar, disse ao homem de verde que estava ao seu lado:
- Graças a Deus consigo sorrir, veja meu amigo, eu posso voar!
E sem se segurar, disse ao homem de verde que estava ao seu lado:
- Graças a Deus consigo sorrir, veja meu amigo, eu posso voar!
E com um pulo entusiasmado, pôs-se a cair, em câmera lenta a gargalhar.
A nós, só resta rezar por um corpo na avenida, que está atrapalhando,
este mundo que está enlouquecendo de tanto trabalhar.
A nós, só resta rezar por um corpo na avenida, que está atrapalhando,
este mundo que está enlouquecendo de tanto trabalhar.
Lucas Souza Pires.
Nenhum comentário:
Postar um comentário