segunda-feira, 20 de setembro de 2010

The sun always shines on tv.

A você o nosso muito obrigado. Você nos mostra o que é errado, o que não devemos fazer, o caminho certo a seguir. Muito obrigado por emitir os maiores problemas da sociedade, afinal, desta maneira, somos felizes enquanto nos é passado uma vida repleta de bons acontecimentos e cheia de justiça no final.
Muito obrigado por nos incentivar em nossas decisões, em tornar real a sua obsessão pelo poder. Obrigado por nos manter cientes daquilo que queres, o que não necessariamente precisa ser verdade. Obrigado por colocar na cabeça das pessoas desprovidas de senso crítico um modelo de vida a ser seguido, aliás, quem não toma um simples café da manhã regado a litros de suco de laranja e diversos tipos de pães?
Você determina a verdade, você elege políticos, derruba qualquer tipo de poder que o traz insegurança. Você determina a palavra de Deus.Você alegra as tardes solitárias daqueles que precisam de sangue, necessitam de trash culture. 
Algo que te defina? Máquina criadora talvez, criadora de sonhos, desejos ilusórios que carregam toda uma geração alienada responsável pelo futuro de nossa nação que teve como base este capitalismo sujo que é o culpado por tantas verdades que nos é passado. Somos simples telespectadores-consumidores e não temos o controle de nossos subconscientes que está tomando conta de tudo. 
Dívidas a serem sanadas, contas a serem pagas, isto sim é real, diferentemente das personalidades que formamos e dos líderes que seguimos.
A você nossa gratidão. Não posso dizer que todos estes agradecimentos são reais, afinal, como podem ser reais se somos formados e controlados por algo ilusório? Felizes são aqueles que vivem livre de você, ó caixa suprema.


Lucas Souza Pires.

"Televisão : goma de mascar para os olhos." (Frank Lloyd Wright)

domingo, 19 de setembro de 2010

Welcome to real world!

(Joaquín Salvador Lavado - Quino)


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Rotina? cuidado.


Acordo. Desligo o despertador. Reclamo por ser muito cedo. Tomo banho. Me arrumo. Saio. Tranco a porta duas vezes, como de costume. Pego o elevador. Dou bom dia a moça do terceiro andar. Entro no meu carro, me transformo. Falo todos palavrões que conheço. Chego ao trabalho, pego um copo de café, coloco dois saquinhos de açúcar. Passo a manhã lendo meus e mails. Hora do almoço, vou ao mesmo restaurante, como o mesmo prato de sempre. Restando uma hora de almoço, como todos os dias, fico sonhando com outro estilo de vida. Volto ao trabalho. Resolvo vários problemas, porém deixo muitos para serem resolvidos amanhã, neste mesmo horário. Brigo com meu chefe, como se quisesse ser despedido. Entro no meu carro. Me transformo. Xingo. Chego em meu prédio. Entro no elevador. Dou boa noite ao seu Eduardo. Chego em casa. Tranco todas as fechaduras, como sempre. Sento no sofá. Acendo o cigarro. Sonho com dias diferentes. Mas só sonho. Hora da janta. Pizza, a de sempre. Tomo banho. Coloco o meu pijama azul, com bolso cinza. Reclamo por estar indo dormir muito tarde. Fico virando a noite inteira. Muitos problemas me atrapalham. Enfim, durmo.

E foi assim durante longos trinta anos de minha vida. Até que finalmente:

Acordo cantando, mais tarde do que o normal. Desço de escada. Saio na rua falando com pessoas que nunca vi. Vou ao parque. Conheço gente nova. Ando de bicicleta. Almoço algo improvisado. Deito na grama. Conto as folhas de uma árvore. Falo com estátuas. Começo a gostar de mim. E o melhor, tudo isso preso a uma camisa estranha, dentro de uma sala branca.




Lucas Souza Pires.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Volte ao Trabalho.


Numa certa madrugada
João em uma cama acordava,
não lembrava quem era,
muito menos onde estava.
Acendeu um cigarro, antes mesmo de levantar,
cheirando a cachaça, foi trabalhar.

Se rastejando no escuro, pensava consigo:
- Será o benedito, até de domingo?
Chegando ao trabalho com seu trapo velho,
recebeu a notícia de que trabalharia até mais tarde.
Nos lábios sujos outro cigarro queimava não só a nicotina,
mas também desejos por condições melhores,
que não passavam de míseros sonhos.

Contando os minutos, esperava o almoço
que de tão rápido e pálido, perdia o gosto.
- Volte ao trabalho, falava o patrão:
- Só pare, quando te sangrar a mão.
E sem aguentar mais tudo isso,
João parou e se perguntou:
- Oh meu Deus, preciso mesmo passar por tudo isso?,
Pareço uma máquina... Mas se sair daqui, para onde vou?
E de muito longe uma voz lhe afirmou:
 -João meu filho, saia daí, comece a viver,
você é humano, deve ser feliz e fazer o que bem entender.

Então João largou tudo, xingou seu dono, e pôs-se a correr.
Cantando nas ruas, conheceu o Sol amarelado que tanto ouvia falar,
percebeu sorrisos apaixonados, viu crianças correndo,
pessoas agradecendo, mil coisas acontecendo.

A tarde chegou, e assistindo ao famoso crepúsculo, começou a chorar.
E sem se segurar, disse ao homem de verde que estava ao seu lado:
- Graças a Deus consigo sorrir, veja meu amigo, eu posso voar!

E com um pulo entusiasmado, pôs-se a cair, em câmera lenta a gargalhar.
A nós, só resta rezar por um corpo na avenida, que está atrapalhando,
este mundo que está enlouquecendo de tanto trabalhar.



Lucas Souza Pires.