quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Rotina? cuidado.


Acordo. Desligo o despertador. Reclamo por ser muito cedo. Tomo banho. Me arrumo. Saio. Tranco a porta duas vezes, como de costume. Pego o elevador. Dou bom dia a moça do terceiro andar. Entro no meu carro, me transformo. Falo todos palavrões que conheço. Chego ao trabalho, pego um copo de café, coloco dois saquinhos de açúcar. Passo a manhã lendo meus e mails. Hora do almoço, vou ao mesmo restaurante, como o mesmo prato de sempre. Restando uma hora de almoço, como todos os dias, fico sonhando com outro estilo de vida. Volto ao trabalho. Resolvo vários problemas, porém deixo muitos para serem resolvidos amanhã, neste mesmo horário. Brigo com meu chefe, como se quisesse ser despedido. Entro no meu carro. Me transformo. Xingo. Chego em meu prédio. Entro no elevador. Dou boa noite ao seu Eduardo. Chego em casa. Tranco todas as fechaduras, como sempre. Sento no sofá. Acendo o cigarro. Sonho com dias diferentes. Mas só sonho. Hora da janta. Pizza, a de sempre. Tomo banho. Coloco o meu pijama azul, com bolso cinza. Reclamo por estar indo dormir muito tarde. Fico virando a noite inteira. Muitos problemas me atrapalham. Enfim, durmo.

E foi assim durante longos trinta anos de minha vida. Até que finalmente:

Acordo cantando, mais tarde do que o normal. Desço de escada. Saio na rua falando com pessoas que nunca vi. Vou ao parque. Conheço gente nova. Ando de bicicleta. Almoço algo improvisado. Deito na grama. Conto as folhas de uma árvore. Falo com estátuas. Começo a gostar de mim. E o melhor, tudo isso preso a uma camisa estranha, dentro de uma sala branca.




Lucas Souza Pires.

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